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European Patients Academy

Sessão Comemorativa do Dia Internacional dos Ensaios Clínicos 2018

A associação EUPATI Portugal, em conjunto com a APIFARMA, assinalou no passado dia 18 de maio, o Dia Internacional dos Ensaios Clínicos com uma Sessão Comemorativa na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.

A iniciativa pretendeu promover o valor da investigação clínica para o doente e para a sociedade, contribuir para a literacia sobre ensaios clínicos junto da sociedade civil e dar destaque à perspetiva das pessoas que vivem com a doença neste processo.
Estes objetivos estão alinhados e prosseguem as conclusões do estudo da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), promovido pela APIFARMA em 2016, “Ensaios Clínicos em Portugal: Consensos e Compromissos”, que identificava como constrangimentos à realização de ensaios clínicos em Portugal a falta incentivos e a insuficiente valorização profissional do investigador, a ausência de uma plataforma de divulgação dos ensaios clínicos e o facto dos prazos legais de aprovação destes estudos serem frequentemente ultrapassados.

Defendiam os autores do estudo que “existe espaço de melhoria em Portugal” caso se promova a “cooperação entre os principais intervenientes” e se avance para a criação de uma agenda nacional para a investigação clínica e edificação de centros de ensaio com uma gestão e infraestruturas orientadas para apoiar e conduzir investigação em saúde.
Os ensaios clínicos, fase essencial dos processos de Investigação & Desenvolvimento (I&D) de novas tecnologias de Saúde, são fundamentais para garantir aos doentes um acesso precoce às últimas inovações médicas e oferecem à comunidade científica a oportunidade de contactar com os avanços clínicos.
Para além do benefício para os doentes, existe um inegável valor económico-social e de produção de conhecimento científico associado à realização de ensaios clínicos.
Por outro lado, a sociedade em geral e as pessoas com doença necessitam de mais e melhor informação sobre o processo de investigação clínica, constituindo a promoção do estudo e debate da participação do doente na investigação e desenvolvimento clínico, um dos objetivos da associação EUPATI Portugal.

Após a sessão de abertura realizada pela Diretora da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, Professora Matilde Fonseca e Castro, pela Diretora de Assuntos Técnicos da APIFARMA, Dr.ª Cristina Lopes e pela Presidente da Direção da EUPATI Portugal, Elsa Frazão Mateus, houve lugar à apresentação do projeto EUPATI, centrado na relevância do envolvimento das pessoas que vivem com doença nos processos de investigação e desenvolvimento de tecnologias de saúde.

   

Imagem 1,2,3 – Matilde Fonseca e Castro, Cristina Lopes e Elsa Frazão Mateus

Orientada para a capacitação dos cidadãos e promoção da literacia em investigação clínica, a associação EUPATI Portugal tem entre os seus objetivos a disseminação dos materiais educativos e formativos do projeto EUPATI (European Patients Academy on Therapeutic Innovation) e consequente envolvimento nacional de doentes na investigação e desenvolvimento de medicamentos, através do estabelecimento de uma Plataforma Nacional como parceria sustentável e interlocutora privilegiada junto das autoridades nacionais no desenvolvimento de práticas, políticas e legislação relevante para a investigação em saúde.

Ainda na sua apresentação sobre «A EUPATI e o Papel do Doente na Investigação Clínica», Elsa Frazão Mateus anunciou que brevemente estará disponível on-line a versão portuguesa dos materiais e ferramentas educativas da EUPATI, cuja tradução já se encontra concluída.

Seguiu-se a Mesa Redonda “O Valor da Investigação Clínica e o Papel do Doente”, moderada pela jornalista Fernanda de Freitas e com a participação de Sofia Oliveira Martins (INFARMED), Beatriz Silva Lima (FFULisboa), Luís Costa (Centro de Investigação Clínica do Centro Hospital de Lisboa Norte), Ricardo Fernandes (GAT – Grupo de Ativistas em Tratamentos), Elsa Frazão Mateus (EUPATI Portugal) e José Antunes (APIFARMA/GTIC).

Imagem 4. Participantes da mesa redonda

Os principais pontos do debate foram resumidos no encerramento da sessão pelo Dr. Bruno Gago, da UNAVE da Universidade de Aveiro que começou por destacar a observação feita por Beatriz Silva Lima que todos somos doentes presentes ou futuros doentes. Nesse sentido, importa, como referiu Ricardo Fernandes, educar para a desconstrução dos mitos em torno da investigação, salientando Luís Costa a existência de mitos em todas as partes envolvidas e não apenas nos doentes. Aquele investigador lembrou ainda que o que temos hoje disponível como alternativas terapêuticas resulta da investigação realizada no passado, sendo necessário garantir a sustentabilidade do sistema. A importância de maior especialização dos profissionais de saúde na investigação para que, pela sua relação de proximidade, possam complementar o acesso do doente a novas tecnologias de saúde foi reconhecida por Sofia Oliveira Martins.

No entanto, apesar da melhoria dos recursos materiais e humanos dos centros de investigação poder incrementar a participação dos doentes, Elsa Mateus sublinhou a adequação da comunicação aos níveis de literacia como fator essencial na produção de informação que possa melhorar a eficiência no recrutamento e manutenção dos doentes nos ensaios. Adicionalmente, José Antunes destacou a importância de fontes credíveis de informação enquanto área diferenciadora no projeto EUPATI e a sua relevância para colmatar a falta de informação e a desinformação em torno dos processos de investigação clínica. A qualidade da informação e das suas fontes poderá potenciar a participação em estudos clínicos como, mais do que um direito, um dever do cidadão, segundo Beatriz Silva Lima. A necessidade de apostar numa estratégia nacional para a literacia do doente em todas as áreas, para além da investigação, foi realçada por Ricardo Fernandes, bem como o interesse no reconhecimento do Doente Perito (Patient Expert) para o real envolvimento como parceiro. José Antunes concordou que o conceito de «doente especialista» aporta um valor enorme na investigação, seja na construção, desenho ou no diálogo precoce com as autoridades e Luís Costa recordou que a participação dos doentes na investigação clínica da iniciativa do investigador deve também ser uma realidade que “empodera” não só o doente, através da partilha dos resultados da investigação, mas também os elementos dos centros académicos.

Em jeito de conclusão, Sofia Oliveira Martins admitiu a existência de barreiras em Portugal na divulgação da investigação, embora preveja que, trabalhando com doentes, hospitais e autoridades, seja possível encontrar estratégias para ultrapassar essas barreiras. Em suma, como concluiu Bruno Gago, a competitividade de Portugal na área dos ensaios clínicos melhorará com doentes cada vez mais informados, sendo este um dos objetivos da associação EUPATI Portugal.

Imagem 5. Formandos EUPATI – 3º curso – Paulo Sousa Martins, Natacha Liti, Tamara Milagre e Joana Neves. Entre eles, Elsa Mateus, EUPATI fellow.